a nossa peça original de 24 / 25 -
APRESENTADA AO PÚBLICO EM MAIO DE 2025 NA SALA 0,5.
Mais um texto original criado pelo Grupo de Trabalho da Oficina de Expressão Dramática do ano letivo 2024 / 2025
Clique AQUI para ler o texto da Peça:
Inicialmente, o afeto entre as figuras antagónicas de Amor e da Loucura é apresentada através de um diálogo, em forma de sonetos, da autoria de Louise Labé, poetisa francesa do século XVI. Estes sonetos demonstram como a intensidade do amor causa um turbilhão de emoções contraditórias que se assemelham a um estado de desordem interior, uma espécie de "loucura" emocional. O sofrimento, a ansiedade, a confusão e a sensação de estar à mercê de uma força incontrolável são temas recorrentes, ilustrando a ténue linha entre exaltação amorosa e a perturbação da alma.
De seguida, toda a ação acontece numa ala de um hospital psiquiátrico A violência psicológica instalou-se de forma sorrateira em todas as personagens. João, figura ausente fisicamente, mas sempre presente ao longo dos diferentes atos, usou a manipulação emocional para isolar Miriam dos amigos e da família, minando a sua autoestima através de críticas constantes e humilhações, e distorcendo toda a realidade, fazendo-a duvidar da sua própria sanidade e perceção dos acontecimentos.
Frases como "Tu estás a imaginar coisas", "Ninguém te vai amar como eu", ou "Se me deixares, não serás nada" tornaram-se armas invisíveis que corroeram a sua força interior e a prenderam numa teia de dependência emocional.
À medida que a sua necessidade de controlo aumentava e a resistência de Miriam diminui, a violência física irrompeu. Os empurrões "acidentais" escalaram para agressões mais sérias, os apertões tornam-se hematomas, e a ameaça constante de danos físicos pairava como uma sombra. Estes atos de violência física não procuraram apenas causar lesões corporais; todas as outras doentes foram também atacadas e violentadas nas suas identidades e autonomia sem que Miriam o soubesse, reforçando o seu sentimento de impotência e aprisionamento.
A loucura na peça não é apenas a de João, impulsionado pela sua obsessão e raiva. É também a loucura silenciosa que se instalou em Miriam, e em todas as outras mulheres pacientes, Ana, Idalina, Rute e Vera, todas elas vítimas do mesmo homem.
As suas respostas psíquicas resultaram do terror constante. Elas começaram a apresentar sintomas de ansiedade extrema, depressão profunda, ataques de pânico, insónias e desenvolveram alguns mecanismos de defesa como a negação ou a dissociação da realidade para conseguir sobreviver emocionalmente. A sua sanidade foi progressivamente corroída pela experiência contínua de abuso, levando-as a questionar o seu valor, a sua capacidade de julgamento e a sua própria mente.
As suas respostas psíquicas resultaram do terror constante. Elas começaram a apresentar sintomas de ansiedade extrema, depressão profunda, ataques de pânico, insónias e desenvolveram alguns mecanismos de defesa como a negação ou a dissociação da realidade para conseguir sobreviver emocionalmente. A sua sanidade foi progressivamente corroída pela experiência contínua de abuso, levando-as a questionar o seu valor, a sua capacidade de julgamento e a sua própria mente.
SER ou NÃO SER, EIS A QUESTÃO pretende, assim, expor como o amor que adoece pode ser uma força destrutiva, capaz de levar à loucura através da violência implacável, deixando cicatrizes profundas e duradouras nas suas vítimas. A peça busca dar voz ao sofrimento invisível e urgente de tantas mulheres presas em relações abusivas.
A narrativa desenrola-se em espiral, misturando momentos de amizade, ternura e cumplicidade entre as doentes, crescendo alguma tensão entre todas elas.
As fronteiras entre o amor e a obsessão esbatem-se, espelhando a loucura que se instala nas suas mentes. Os diálogos são, em alguns momentos, substituídos por confissões e tentativas de explicação para o sucedido.
A peça não segue uma cronologia linear, salta de monólogos pungentes para alguns confrontos dramáticos, expõe a fragilidade emocional e a dependência das vítimas, dificultando a rutura com o agressor.
O título, ecoando a famosa questão hamletiana, reflete a luta interna de Miriam entre manter a esperança de resgatar o amor perdido e a necessidade urgente de lutar pela sua própria sobrevivência e identidade, questionando o próprio sentido da sua existência sob o jugo da violência.
Não existe uma Moral da História para "SER Ou Não SER" ?
Tal como o amor, quando toldado pela obsessão e pela violência, pode infligir uma "loucura" paralisante, consumindo a sanidade e a própria identidade, a dúvida e o medo, personificados no dilema de Hamlet, podem igualmente aprisionar a alma impedindo a ação necessária para romper o ciclo de sofrimento. A paixão que degenera em possessão e a incerteza que gera inação são faces da mesma moeda: a fragilidade do ser humano perante as forças que o subjugam, sejam elas a toxicidade de um "amor" doentio ou o peso esmagador da indecisão.
Os versos de Louise Labé ecoam a tortura emocional de todas as pacientes, onde o "prazer amargo" e a "estranha loucura" de amar o que as destrói, espelham as suas lutas internas, aprisionadas entre as memórias de um afeto que se desvirtuou e o terror da realidade presente. Da mesma forma, que "ser ou não ser" de Hamlet reflete a paralisia diante da dor e da incerteza, um medo da ação que as mantém presas à sua própria angústia.
Tal como o amor, quando toldado pela obsessão e pela violência, pode infligir uma "loucura" paralisante, consumindo a sanidade e a própria identidade, a dúvida e o medo, personificados no dilema de Hamlet, podem igualmente aprisionar a alma impedindo a ação necessária para romper o ciclo de sofrimento. A paixão que degenera em possessão e a incerteza que gera inação são faces da mesma moeda: a fragilidade do ser humano perante as forças que o subjugam, sejam elas a toxicidade de um "amor" doentio ou o peso esmagador da indecisão.
Os versos de Louise Labé ecoam a tortura emocional de todas as pacientes, onde o "prazer amargo" e a "estranha loucura" de amar o que as destrói, espelham as suas lutas internas, aprisionadas entre as memórias de um afeto que se desvirtuou e o terror da realidade presente. Da mesma forma, que "ser ou não ser" de Hamlet reflete a paralisia diante da dor e da incerteza, um medo da ação que as mantém presas à sua própria angústia.
Ignorar a loucura destrutiva da violência, seja ela física ou psicológica, é permitir que ela nos defina e nos aniquile, tal como a hesitação pode perpetuar o sofrimento.
Em última análise, "SER Ou Não SER" questiona a nossa capacidade de discernir entre a verdadeira essência do amor e a sua perversão, e a coragem necessária para escolher a vida e a liberdade, mesmo quando confrontados com a dor lancinante da rutura e o medo do desconhecido. A loucura do amor violento e a paralisia da dúvida são armadilhas que só podem ser superadas pela afirmação resoluta do próprio ser e pela busca incessante por uma existência autêntica e livre de opressão.
Em última análise, "SER Ou Não SER" questiona a nossa capacidade de discernir entre a verdadeira essência do amor e a sua perversão, e a coragem necessária para escolher a vida e a liberdade, mesmo quando confrontados com a dor lancinante da rutura e o medo do desconhecido. A loucura do amor violento e a paralisia da dúvida são armadilhas que só podem ser superadas pela afirmação resoluta do próprio ser e pela busca incessante por uma existência autêntica e livre de opressão.
fotografias da autoria de Filomena Pedroso -
professora bibliotecária da ESIDM




























